Edifícios inteligentes: combinando tecnologia com design moderno

Fonte: Canadian Consulting Engineer

A integração de novas tecnologias no projeto de edifícios envolve a experiência especializada de consultores multidisciplinares.

O termo edifício inteligente pode parecer uma palavra da moda ou fantasia de alta tecnologia, mas assim como smartphones e casas inteligentes, os edifícios inteligentes se tornaram uma realidade moderna. Integrar novas tecnologias no projeto de edifícios é uma arte que envolve planejamento cuidadoso, usando dados e a experiência especializada de engenheiros consultores, para levar a construção inteligente da palavra da moda ao mainstream.

O que é um edifício inteligente, hoje?

Sabemos que o que torna um edifício “inteligente” está em constante mudança e pode diferir entre as organizações, dependendo das necessidades e do uso da instalação. Existem muitas áreas que podem cair no domínio do 'inteligente', como meio ambiente, gerenciamento de energia, gerenciamento de instalações e da propriedade, gerenciamento de ciclo de vida, segurança etc. sempre envolvendo sistemas de automação.

Edifícios inteligentes em geral substituem sistemas analógicos e independentes mais antigos que precisam ser gerenciados manualmente por sistemas digitais em rede. Edifícios inteligentes também podem incluir sistemas de gerenciamento (BMS), que são as plataformas que unem os sistemas, permitindo que eles trabalhem em conjunto e compartilhem informações entre si para otimizar as necessidades do edifício e dos usuários e visitantes.

A migração de sistemas analógicos para sistemas digitais mais inteligentes ajudou a mudar o cenário da tecnologia em todos os setores, incluindo a construção. O projeto de construção também evoluiu, passando de projetos manuais em papel para arquitetura digital robusta e ferramentas de projeto de engenharia. Então, como as tecnologias emergentes estão sendo incorporadas ao projeto de construção inteligente na fase de planejamento e projeto? Algumas ideias vêm à mente: ocupação e gestão de visitantes.

O poder da análise de ocupação de edifícios

Identificar adequadamente o uso e a ocupação de um edifício ajuda a definir o tom do projeto da estrutura. A análise de ocupação de edifícios é tendência há anos e, com o início da pandemia, sua importância aumentou. A capacidade de rastrear com precisão o número de pessoas que entram e saem de uma instalação, bem como quantas pessoas estão dentro dela a qualquer momento, fornece ao operador ou proprietário do edifício dados que podem ser traduzidos em uma variedade de aplicações muito úteis .

Mais do que apenas para limites de ocupação, a análise pode ser uma ferramenta poderosa para otimização e eficiência. Por exemplo, a identificação de áreas de alto tráfego, juntamente com horários de pico e baixa ocupação do dia, pode ser usado com HVAC e sistemas elétricos para programar e automatizar a iluminação e o aquecimento - garantindo que as áreas sejam controladas por temperatura e iluminadas durante os horários de pico de ocupação, enquanto economiza energia não aquecendo, resfriando ou iluminando espaços quando não estiverem em uso. Até mesmo as operações de construção, como cronogramas de limpeza, podem ser otimizadas usando a análise de ocupação. Uma área pode precisar de serviços de limpeza apenas uma vez por dia quando não estiver em uso ou uma vez por hora durante períodos de alta ocupação.

Usar a análise de ocupação para envolver os sistemas apenas onde, quando e como eles são necessários pode otimizar a eficiência do prédio e da equipe e reduzir o desgaste em sistemas críticos.

Incorporando o gerenciamento de visitantes ao design inteligente

A tecnologia de gerenciamento de visitantes e usuários está sendo cada vez mais incorporada ao projeto de edifícios com uma infinidade de aplicações. Todos nós já encontramos prédios equipados com interfones de botão para entrar. Os designs atuais incluem sistemas de entrada de baixo toque e até mesmo entrada sem toque, onde uma pessoa pode iniciar uma chamada sem precisar pressionar um botão. A partir da chamada inicial, uma conversa bidirecional completa de áudio e vídeo pode ser realizada antes de permitir a entrada em um prédio.

Não deve ser esquecido o gerenciamento remoto, onde uma pessoa nem sempre precisa estar fisicamente presente no prédio para monitorar a atividade, interagir com os visitantes ou responder a eventos de segurança. Por exemplo, um código QR com um prazo de validade predefinido pode ser gerado e enviado para o celular de um visitante. Uma vez que o visitante mantenha o código em um interfone, ele terá acesso à instalação que expirará automaticamente após um uso único ou em um horário definido. Combinado com soluções de vigilância de rede, os visitantes e a propriedade são mantidos em segurança enquanto o edifício é monitorado remotamente.

O momento certo para trazer consultores de tecnologia

Cada vez mais organizações estão contando com serviços de consultoria e eles podem ser essenciais para aqueles que não possuem conhecimento técnico interno. Os engenheiros consultores têm habilidades e recursos especializados que vão além dos fundamentos do projeto de construção (como mecânica, HVAC, encanamento e elétrica). Eles também trazem uma riqueza de habilidades e experiência para ajudar a tirar o máximo proveito do design de edifícios inteligentes, desde vídeo e áudio em rede para segurança até infraestrutura de suporte, segurança cibernética, gerenciamento remoto e muito mais.

Ao incorporar tecnologia inteligente em um novo projeto, quanto mais cedo na fase de planejamento a conversa começar, melhor. Isso permite que os consultores façam as perguntas certas, avaliem as necessidades, examinem as tecnologias certas e determinem qual infraestrutura está disponível ou necessária para apoiá-las. A dinâmica de um projeto muda dependendo se é um novo edifício sendo construído ou um retrofit de uma instalação existente, onde os sistemas legados podem ser substituídos por completo ou integrados com novas tecnologias. Como resultado, o planejamento adequado geralmente requer o trabalho com vários canais de fornecedores para se obter uma solução completa, portanto, é sempre uma prática recomendada começar o mais cedo possível no plano do projeto.

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Redefinindo os prédios inteligentes: foco nas pessoas


Áreas comuns de condominios multiuso: o que está mudando?


Uma parcela significativa dos novos lançamentos imobiliários, notadamente nos grandes centros urbanos, têm levado em consideração as mudanças recentes nos padrões de uso relativos à moradia e trabalho. Algumas destas alterações podem ter surgido em função de normativas urbanísticas, no entanto estas se tornaram menos relevantes em função das recentes questões comportamentais e de conviencia, resultantes não só do periodo de pandemia da Covid-19 como também de situações que rapidamente têm se incorporado ao estilo de vida urbano.

Listamos a seguir alguns destes "novos" usos e espaços que têm sido incorporados, muitos não somente ligados aos empreendimentos multiuso como em projetos unifamiliares, corporativos ou comerciais:

1) Co-working: praticamente um espaço obrigatório, já se colocando como extensão do "home office" e opção às idas e voltas a um local fixo de trabalho.

2) Co-kitchen, bares e cafés: áreas que integram trabalho, lazer, convivencia, muitas vezes incluem equipamentos de selfservice, desde simples cafés até mini-mercados com varias opções de produtos.

3) Espaços fitness: cada vez mais diferenciados, tanto nas opções oferecidas como na necessidade de controle de ocupação; alguns espaços alternativos para terapias, massagens e similares também estão sendo previstos.


4)
Smart Lockers; o aumento considerável nas entregas ligadas ao e-commerce, aliado à redução de funcionários dos condominios, torna esta opção praticamente obrigatória para garantir uma logistica de entrega eficiente, aliada à privacidade e segurança em todo o processo durante 24 horas.

5) Lavanderias coletivas: com unidades habitacionais menores e com uso mais comprometido em novas atividades, as lavanderias coletivas se impõem cada vez mais.

6) Locação de bens de uso compartilhado: meios de transporte como bicicletas e automóveis, além de uso eventual de ferramentas e utensilios, tornam importantes esta opção de locação temporária, trazendo comodidade e economia aos condôminos.

7) Áreas de lazer - rooftop: muitas vezes a necessidade de segregar os usuários de um espaço multiuso, separando por exemplo os moradores de apartamentos unifamiliares dos usuários de áreas comerciais ou de escritório, além de moradores temporários, têm obrigado a arquitetura a criar espaços alternativos de lazer, inclusive em diferentes pisos do edificio. Uma opção cada vez mais frequente tem sido o uso do último piso (roof top) para piscinas, saunas, jardins e áreas de convivencia, potencializado pela possibilidade de uma vista panoramica do entorno.


Talvez estas sejam as principais mudanças que temos observado. No entanto, ainda podemos citar uma série de espaços e serviços que têm sido também implantados nestes novos empreendimentos, sendo alguns deles: salão de beleza, farmacia 24 horas, lavagem de veiculos, cinema de uso coletivo, entre outros.

Em função destas mudanças de grande relevancia o que podemos constatar e que representa um grande desafio para aqueles que atuam nestes projetos?

Em primeiro lugar, a implantação destes espaços está se tornando praticamente obrigatória nos novos empreendimentos, no entanto é importante notar que os edificios em uso serão obrigados, mesmo que gradativamente, a fazer adaptações de uso, os chamados retrofits. Será inevitável a necessidade de projetar e implantar mudanças significativas nas áreas comuns, tanto na sua arquitetura como na adoção de equipamentos e tecnologias atualizados. Gestorescondominiais com esta visão terão sucesso e conseguirão valorizar os seus edificios em relação àqueles que não providenciarem estas ações

Em segundo lugar: será necessário adotar, de imediato, mudanças significativas nos projetos de infraestrutura atuais! Como podemos perceber, certas operações serão criticas neste novo tipo de uso dos espaços coletivos, tais como:

- controle de acesso, não somente em função da segurança necessária como também para garantir praticidade no uso e eficiencia na gestão dos recursos oferecidos aos usuários;

- garantir conforto e segurança para os usuários, através de interfaces simples e integradas. Por exemplo: seria intuitivo obrigar os moradores e usuários a utilizarem diversos aplicativos, um para cada função ou ambiente? Ou dispor de uma plataforma integrada e amigável?

- redes de comunicação e internet pervasivas, ou seja, disponiveis amplamente e em todos os locais, caso contrário o funcionamento de aplicativos e aquipamentos será comprometido

- ambientação de qualidade será obrigatória, isto inclui controle de iluminação (artificial e natural), de climatização, de som ambiente, entre outros. Com uma variedade de usos muito ampla e de diferentes tipos de usuários (moradores, visitantes eventuais, prestadores de serviço e outros), como garantir eficiencia e qualidade sem utilização de sistemas de automação?

Devemos ressaltar ainda que uma porcentagem cada vez maior de condominios estão adotando o modelo de portaria remota, o que reduz significativamente o quadro de pessoal disponivel, obrigando que sistemas programados e monitorados à distancia executem desde funções mais simples (como ligar e desligar luzes em horarios determinados), até acompanhar o funcionamento de itens criticos como o fornecimento de agua, o status de um gerador ou a gravação das imagens das câmeras de segurança. Poderiamos nos estender ainda mais, listando varias outras aplicações. No entanto, mesmo situando a discussão nestes itens acima, já percebemos que a maioria dos projetos de instalações hoje não incluem estes requisitos, o que reforça a adoção de novos conceitos e de um escopo adicional e de extrema relevancia.

Assista tembém este curto video contendo um resumo do que trata este artigo

Redefinindo os prédios inteligentes: foco nas pessoas

Fonte: RTInsights 

As empresas começam a perceber que os edifícios inteligentes podem agregar mais valor na otimização do espaço e na produtividade dos funcionários do que simplesmente reduzir os custos de energia.

A maioria das discussões sobre edifícios inteligentes aborda o gerenciamento de instalações. Um edifício pode usar sistemas em tempo real para monitorar e gerenciar segurança, HVAC, iluminação e gerenciamento de energia. Outras áreas de aplicações de ponta incluem lobbies e elevadores inteligentes.

A pandemia aumentou a necessidade de contar com sistemas mais inteligentes e intuitivos. Os empregadores devem fornecer garantias de que seus trabalhadores estarão seguros. Eles precisam de soluções em tempo real que ajudem a monitorar e reforçar o distanciamento social de seus funcionários e a qualidade da saúde ambiental em cada sala.

Eles também precisam de sistemas de gerenciamento de visitantes que façam mais do que apenas registrar uma pessoa quando ela entra em uma instalação. Em muitos casos, os visitantes precisarão ser rastreados (por ex: uma rápida verificação de temperatura) e ter seu movimento ao longo do edifício rastreado para garantir que os quartos não estejam superlotados.

Uma abordagem mais inclusiva para edifícios inteligentes

Edifícios inteligentes tradicionalmente fornecem controle aprimorado sobre os aspectos físicos do gerenciamento seu funcionamento. Os sistemas em tempo real que gerenciam esses recursos contam com sensores integrados e elementos de sistemas IoT para capturar dados e derivar  suas análises baseadas em IA.

Agora, muito mais é necessário para atender às demandas do "novo normal", conforme as pessoas voltam ao escritório. Especificamente, o que é necessário é uma transição de sistemas de edifícios inteligentes legados, muitas vezes proprietários, para sistemas baseados em uma arquitetura aberta que permite que sistemas de edifícios inteligentes discretos trabalhem juntos de forma sinérgica.

A economia de custos ainda impulsiona a necessidade de sistemas de edifícios inteligentes. Mas agora, as empresas, gestores e proprietários de edifícios percebem que há mais valor na otimização do espaço e na produtividade dos funcionários do que simplesmente reduzir os custos de energia. Como tal, novos sistemas são necessários para:

  • Medir a ocupação em tempo real em todo o edifício: Se os níveis de densidade forem muito altos em qualquer sala ou área comum, o sistema deve ser capaz de iniciar um processo de reduzir a ocupação.
  • Monitorar até o nível do assento: Saber se ou quando alguém se sentou em uma estação de trabalho ou ocupou uma sala é necessário para coordenar a limpeza e desinfecção das superfícies.
  • Controlar a qualidade do ar: em vez de apenas monitorar as condições ambientais, os edifícios inteligentes devem reagir dinamicamente em tempo real e fazer ajustes. Se o número de pessoas em uma sala começar a aumentar, a ventilação deve também ser intensificada para garantir o fluxo de ar adequado.

    São esses tipos de ações que são necessárias no novo local de trabalho.

A integração de sistemas tão díspares é o futuro dos edifícios inteligentes. A tendência é semelhante ao que está acontecendo no espaço da cidade inteligente. Cidades inteligentes normalmente foram concebidas como entidades monolíticas onde os dados de sensores difusos são analisados ​​centralmente para muitos casos de uso. Esse conceito está mudando, pois a maioria das cidades inteligentes provavelmente será um conjunto de vários espaços inteligentes, incluindo semáforos inteligentes, lobbies inteligentes, rodovias inteligentes, serviços públicos inteligentes, gestão inteligente de resíduos e muito mais.