Como a tecnologia pode reduzir os custos de um condomínio


A pressão constante sobre as taxas condominiais tem levado síndicos e administradoras a buscarem soluções mais eficientes para equilibrar orçamento, qualidade de serviços e valorização do patrimônio. Nesse contexto, a tecnologia tem se consolidado como uma aliada estratégica na redução de custos operacionais e no aumento da eficiência da gestão condominial, conforme aponta reportagem recente do O Estado de S. Paulo.

Um dos principais vetores dessa transformação é a automação de processos e serviços. Sistemas de controle de acesso digital, como portarias remotas e leitores biométricos ou por reconhecimento facial, permitem reduzir despesas com mão de obra presencial sem comprometer a segurança. Além da economia direta, esses sistemas geram registros e relatórios que facilitam auditorias e a gestão de ocorrências.

Outro ponto relevante é o uso inteligente de energia e recursos. Tecnologias de monitoramento em tempo real do consumo elétrico e hídrico possibilitam identificar desperdícios, vazamentos e picos de consumo, permitindo ações corretivas rápidas. A automação de iluminação e sistemas de climatização em áreas comuns, com sensores de presença e controle por horários, também contribui significativamente para a redução das contas mensais, um aspecto ressaltado na análise do jornal.

A digitalização da gestão condominial é outro fator de impacto direto nos custos. Plataformas online substituem processos manuais, reduzem gastos com papel, correio e retrabalho administrativo, além de melhorar a comunicação com os moradores. Aplicativos de gestão permitem a realização de assembleias virtuais, votações eletrônicas e acompanhamento financeiro em tempo real, diminuindo despesas operacionais e aumentando a transparência.

A tecnologia também atua de forma preventiva por meio da manutenção preditiva. Sensores e sistemas de monitoramento em elevadores, bombas, portões e outros equipamentos críticos permitem antecipar falhas antes que se tornem problemas graves e onerosos. Essa abordagem reduz custos emergenciais, prolonga a vida útil dos equipamentos e evita interrupções nos serviços do condomínio.

Por fim, é importante destacar que a adoção tecnológica não deve ser vista apenas como um custo inicial, mas como um investimento com retorno mensurável. A experiência relatada na reportagem do Estadão demonstra que condomínios que adotam soluções tecnológicas de forma planejada conseguem não apenas reduzir despesas recorrentes, mas também aumentar a atratividade e a valorização do imóvel no médio e longo prazo.

Em um cenário de orçamentos cada vez mais pressionados, a tecnologia deixa de ser um diferencial e passa a ser um elemento essencial para uma gestão condominial eficiente, sustentável e financeiramente equilibrada.

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Os Empreendimentos Multiuso e a Automação como Infraestrutura Essencial

 

Os empreendimentos imobiliários multiuso — que integram moradia, hospedagem, comércio e serviços em um único condomínio — representam uma resposta direta às novas dinâmicas urbanas, ao adensamento das cidades e à busca por eficiência operacional e melhor experiência do usuário. No entanto, essa complexidade funcional impõe desafios técnicos e operacionais que tornam o uso de sistemas de automação, controle de acesso inteligente e conectividade de alta performance praticamente obrigatório para a viabilidade, segurança e competitividade desses projetos.

A complexidade operacional dos empreendimentos multiuso

Diferentemente de condomínios residenciais ou edifícios comerciais tradicionais, os empreendimentos multiuso operam com perfis de usuários distintos, fluxos variáveis e níveis de acesso dinâmicos. Moradores permanentes, hóspedes temporários, prestadores de serviço, clientes de áreas comerciais e equipes operacionais coexistem no mesmo ambiente físico, exigindo:

  • Segmentação precisa de acessos
  • Gestão inteligente de circulação
  • Operação contínua, 24/7
  • Alta confiabilidade dos sistemas prediais

Sem automação e sistemas digitais integrados, a operação tende a se tornar onerosa, ineficiente e vulnerável a falhas de segurança.

Automação predial como base de governança do ativo

A automação predial deixa de ser um diferencial tecnológico e passa a atuar como infraestrutura de governança do empreendimento. Sistemas integrados de iluminação, climatização, elevadores, energia, água e segurança permitem:

  • Operação diferenciada por uso (residencial, hotelaria, serviços)
  • Redução de custos operacionais e energéticos
  • Monitoramento contínuo e manutenção preditiva
  • Adequação a requisitos de ESG e sustentabilidade

Em empreendimentos multiuso, a automação é o elemento que permite tratar múltiplos modelos de operação dentro de uma mesma edificação de forma organizada e escalável.

Controle de acesso inteligente: segurança e experiência do usuário

O controle de acesso é um dos pilares críticos desses projetos. Tecnologias como credenciais digitais, biometria, QR Codes, integração com sistemas hoteleiros e aplicativos de condomínio permitem:

  • Diferenciar acessos por perfil, tempo e área
  • Automatizar check-in e check-out de hóspedes
  • Integrar estacionamento, elevadores e áreas comuns
  • Aumentar a segurança sem comprometer a experiência

Em um ambiente multiuso, segurança e fluidez precisam coexistir, algo praticamente inviável com soluções convencionais e não integradas.

Conectividade de alta performance como infraestrutura estratégica

A conectividade deixa de ser um serviço acessório e passa a ser infraestrutura crítica do empreendimento. Redes robustas, redundantes e bem projetadas são fundamentais para suportar:

  • Sistemas de automação e IoT
  • Aplicações de segurança e vídeo
  • Serviços digitais para moradores e hóspedes
  • Operações comerciais e corporativas
  • Integração com plataformas em nuvem e analytics

Sem conectividade de alta performance, a automação perde eficiência e o empreendimento compromete sua proposta de valor no médio e longo prazo.

Valorização imobiliária e competitividade de mercado

Do ponto de vista do investidor e do incorporador, empreendimentos multiuso tecnologicamente preparados apresentam:

  • Maior atratividade para diferentes perfis de usuários
  • Valorização do ativo ao longo do tempo
  • Flexibilidade para mudanças de uso futuro
  • Redução de riscos operacionais

A automação e as tecnologias digitais tornam-se, portanto, fatores estruturais de mitigação de risco e de aumento da vida útil do empreendimento.

Conclusão

Nos empreendimentos multiuso contemporâneos, a automação predial, o controle de acesso inteligente e a conectividade de alta performance não podem mais ser tratados como opcionais ou complementares. Eles constituem a base tecnológica que viabiliza a convivência de múltiplos usos, garante segurança, eficiência operacional e uma experiência adequada aos diferentes usuários. Em um mercado cada vez mais competitivo e orientado por eficiência, sustentabilidade e experiência, esses sistemas deixam de ser custo e passam a ser investimento estratégico indispensável.


 Artigo de autoria de José Roberto Muratori, do Conselho Editorial da Revista Prédio Inteligente

Inspeção Predial Obrigatória: Novo Marco para a Segurança e Manutenção das Edificações


A Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 6014/2013, que institui a inspeção predial obrigatória em edificações públicas e privadas. O texto cria o Laudo de Inspeção Técnica de Edificação (LITE), documento que deverá ser elaborado por profissional habilitado e com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).

A medida tem como objetivo garantir a segurança das edificações, prevenir acidentes e estabelecer rotinas periódicas de manutenção. A primeira inspeção deverá ocorrer dez anos após a emissão do “habite-se”, com repetições regulares a cada dez anos — podendo os municípios determinar prazos menores conforme o tipo e a idade da construção.

O laudo técnico deverá seguir normas da ABNT, incluindo descrição detalhada do estado da edificação, fotografias, recomendações de reparos e classificação de riscos. O responsável legal deverá manter o documento arquivado por 20 anos, disponível para consulta por autoridades e usuários.

Este projeto está tramitando desde 2013 e, agora, com a sua aprovação na CCJC em outubro de 2025, a expectativa é que sua implantação efetiva seja acelerada pois a proposta vai para o Plenário na sequência.

Baseados nesta possível aprovação, em breve, entendemos que é importante que todos os proprietários de imóveis tomem conhecimento do impacto que será causado na área de conservação e manutenção predial. Ao nosso ver, de toda forma, o seu conteúdo é muito apropriado e deve ser visto como uma base estruturada e relevante a ser adotada, mesmo antes de se tornar obrigatória.
 
Relevância para as instalações prediais

Em consequência, a obrigatoriedade da inspeção deve criar um novo parâmetro de qualidade e responsabilidade técnica para todas as instalações prediais — elétricas, hidráulicas, de climatização, segurança, telecomunicações e automação.

Esses sistemas, quando integrados e monitorados de forma contínua, tornam-se aliados diretos na manutenção preventiva e no cumprimento das futuras exigências legais. Tecnologias como sensores, automação, sistemas de gestão predial (BMS) e plataformas de monitoramento remoto podem auxiliar engenheiros e administradores a manter registros atualizados e detectar falhas antes que comprometam a segurança ou a operação.

Novas oportunidades para integradores e projetistas

A obrigatoriedade da inspeção predial deve abrir também um campo de oportunidades para engenheiros, projetistas e integradores de sistemas.
Os edifícios precisarão de suporte técnico não apenas para realizar as inspeções, mas também para instalar soluções tecnológicas que facilitem o monitoramento contínuo — um serviço que une engenharia civil, elétrica, TI e automação.

Empresas especializadas poderão oferecer pacotes completos de conformidade, que incluam:

  • diagnóstico técnico e digitalização do edifício (as built digital),
  • implantação de sensores e sistemas de automação integrados ao BMS,
  • armazenamento seguro dos dados de inspeção e manutenção,
  • suporte na elaboração do LITE e nos planos de ação corretiva.

Assim, o integrador deixa de ser apenas um fornecedor de tecnologia e passa a atuar como parceiro estratégico na operação inteligente dos empreendimentos
 
Conclusão

A criação da inspeção predial obrigatória vai representar um avanço na cultura de manutenção e segurança das edificações brasileiras. Além de prevenir acidentes, ela vai incentivar o uso de soluções técnicas modernas e reforçar o papel das instalações prediais como parte essencial da durabilidade e confiabilidade das construções.